“Ensinar não é apenas transferir conhecimento,
mas criar possibilidades para a sua produção ou a sua construção” (Freire ,1996 , pg. 25.

 

 

I - JUSTIFICATIVA

 

A arte propicia uma compreensão profunda das questões sociais, pois solicita a percepção visual, a auditiva bem como os demais sentidos e é através dela que o aluno compreende a dimensão poética presente em seu meio.

A educação artística deve considerar a complexidade de uma proposta de trabalho que leve em conta as possibilidades e os meios utilizados pelos alunos  durante a transformação de seus conhecimentos em arte. As técnicas, informações históricas, relações culturais e sociais bem como os procedimentos adequados só podem ser assimilados pelos alunos caso sua sensibilidade e condições de concretizá-los permitam. Para tanto, a escola deve colaborar para que os alunos passem por um conjunto amplo de experiências ao aprender e criar, utilizando percepção , imaginação, sensibilidade, conhecimento e produção artística pessoal e grupal.

É desejável que o aluno, ao longo da sua vida escolar, tenha a oportunidade de vivenciar o maior número de formas de arte, entretanto é necessário que cada modalidade artística possa ser desenvolvida e aprofundada em um espaço que ofereça suporte às suas peculiaridades. O estudo, a análise e a apreciação das formas podem contribuir tanto para um processo pessoal de criação dos alunos como para o reconhecimento da função que a arte desempenha nas culturas humanas.

Àcreditamos que construir um espaço físico adequado à formação dos alunos significa oferecer pleno acesso aos recursos culturais relevantes para a sua cidadania através da interação com materiais e instrumentos variados em artes visuais, música, dança e teatro.

Compete à escola oferecer um espaço mais livre e dinâmico. Tal idéia diz respeito à clareza visual do ambiente, à característica mutável e flexível do espaço, que permita novos remanejamentos na disposição dos móveis, objetos e trabalhos produzidos de acordo com o andamento das atividades e a organização dos materiais a serem utilizados.

Um espaço desta forma planejado convida e estimula a criação dos alunos, gerando um tipo de intervenção que valoriza as artes bem como suas características.

 

 

 

 

 

II – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

 

Acreditamos no que diz Paulo Freire:Como cobrar das crianças um mínimo de respeito às carteiras escolares, às mesas, às paredes, se o poder público revela absoluta desconsideração à coisa pública?...É incrível que não imaginemos a significação do “discurso”formador que faz uma escola respeitada em seu espaço. A eloquência do discurso pronunciado na e pela limpeza do chão, na boniteza das salas, na higiene dos sanitários, nas flores que a adornam. Há uma pedagogicidade indiscutível na materialidade do espaço” (Freire, 1996, pág.50).

 

                                                                      

                                                                      

 

III – OBJETIVO

 

No Brasil, um pais com tantas áreas carentes, onde as pessoas procuram suprir suas próprias necessidades, dar um bom exemplo ou encontrar um para seguir parece uma tarefa difícil.

É para organizar e realizar o sonho de ser um exemplo que precisamos tomar consciência de que uma escola deve oferecer uma boa estrutura aos seus alunos, para não correr o risco de, em longo prazo, deixar de ser um espaço socialmente responsável.

Afinal, ser responsável socialmente é mais que fazer um trabalho com empenho e qualidade, é fazer o que estiver ao alcançe para diminuir as diferenças sociais que existem no país.

Atuando junto com a comunidade, as vezes como suporte para realização de sonhos, outras como exemplo a ser seguido, a escola gera um sentimento de responsabilidade  traduzido em reconhecimento pelos benefícios que esta recebe e procura devolver da mesma forma.

Portanto, insatisfeitos com a estrutura atual da nossa escola, propomos a criação de um espaço alternativo que seja atrativo e estimulante, conforme projeto em anexo. Desta forma pretende-se envolver todas as áreas do conhecimento para que disponham de um espaço que facilite a aprendizagem do educando e onde os mesmos sejam convidados a privilegiar a satisfação de necessidades como a introspecção, as atividades lúdicas, a criatividade e a liberdade.

 

 

 

 

 

IV – OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 

O projeto de espaço alternativo permite ao professor:

- Desenvolver aulas de dança, música e teatro.

- Organizar uma estrutura para a utilização de técnicas de pintura, modelagem, escultura e gravura bem como um espaço adequado para a organização e conservação dos trabalhos durante o processo de aprendizagem.

- Oferecer a prática para a reciclagem permanente dos papéis e outros materiais utilizados na escola.

- Realizar atividades que são inviáveis no espaço da sala tradicional.

- Utilizar o espaço para o desenvolvimento das seguintes atividades em andamento na escola: . Oficina de Danças Tradicionais Gaúchas (DTG);

            . Oficina de música através do projeto “Toque na escola”.

            . Oficinas realizadas pelo projeto “Escola Aberta”.

 

 

 

V – CARACTERÍSTICAS DO ESPAÇO

 

  • Forma circular;
  • Corredor de entrada com função de galeria para exposição de trabalhos;
  • Equipado com tanques, armários, prateleiras e mesas grandes para atividades em grupos;
  • Janelas projetadas visando um grande aproveitamento de luz natural.  
  • Possibilidade de remanejamento das mesas para atividades tais como teatro e dança.

 

 

 

VI – CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

O espaço, a autonomia, o ambiente ecologicamente saudável e o tempo são bens cuja disponibilidade depende mais da formação e da cultura do que do poder aquisitivo. Acreditamos que a concretização deste projeto trará, além das possibilidades anteriormente citadas, condições dignas de trabalho aos profissionais desta escola bem como servirá de referência e inspiração para outras escolas.

 

 

 

 

 

1. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

 

2. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: arte.  Secretaria de Educação. Brasília: MEC/SEF, 1997.