“Ensinar não é apenas transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua produção ou a sua construção” (Freire, 1996 , pg. 25).

 

 

JUSTIFICATIVA

A arte propicia uma compreensão profunda das questões sociais, pois solicita a percepção visual, a auditiva bem como os demais sentidos e é através dela que o aluno compreende a dimensão poética presente em seu meio.

A educação artística deve considerar a complexidade de uma proposta de trabalho que leve em conta as possibilidades e os meios utilizados pelos alunos  durante a transformação de seus conhecimentos em arte. As técnicas, informações históricas, relações culturais e sociais bem como os procedimentos adequados só podem ser assimilados pelos alunos caso sua sensibilidade e condições de concretizá-los permitam. Para tanto, é necessário que o professor proporcione aos educandos a oportunidade de vivenciar um conjunto amplo de experiências ao aprender e criar, utilizando percepção , imaginação, sensibilidade, conhecimento e produção artística pessoal e grupal.

Levando em conta estas colocações, tenho me esforçado para aproximar os alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Professor Adriano Ortiz Corrêa, localizada em Gravataí, no Rio Grande do Sul, dos agentes produtores de arte locais a fim de não limitar as relações teóricas somente aos livros didáticos, além de oportunizar aos mesmos uma experiência mais ampla e significativa. Considero este argumento uma das principais motivações para o desenvolvimento deste projeto.

O primeiro passo para definir o rumo das atividades  é dado no mês de março,  após a realização do planejamento escolar para o ano letivo, onde é escolhido o tema central e os objetivos gerais para todas as áreas do conhecimento. Neste ano de 2006 trabalharemos com o tema “diversidade”, cujo objetivo se expressa na frase “Acolhendo as diferenças construimos a harmonia”.

Em função do tema, apresentei para o grupo de professores um livro entitulado “Diferente é divertido”, cuja elaboração foi realizada por nove estudantes do ensino fundamental e coordenada pela artista plástica Maria Tomaselli, sendo este produzido durante  a 3ª. Jornada Literária de Passo Fundo.  O livro referido mostra a versão dos autores sobre um mundo múltiplo, divertido, com muitas diferenças e, por isso, também problemático, mas cheio de possibilidades para encará-las através de conhecimento e amor.

O relato a seguir trata-se da terceira experiência anual consecutiva na qual nossos alunos tem contato com artistas atuantes residentes no Rio Grande do Sul e realizam atividades junto aos mesmos, conforme álbum complementar em anexo [1] .

O livro citado serviu como ponto de partida para a proposta de trabalho, gerando reflexões sobre o tema tratado bem como tornou-se um fio condutor para analisar-mos a vida e as obras da artista plástica Maria Tomaselli, que nasceu na Áustria e vive no Brasil desde 1965, morando atualmente em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

De acordo com Lisbeth Rebollo Gonçalves [2] , o tema “casa” vem sendo trabalhado pela artista desde o final da década de 1980, quando ela se destacou com as instalações intituladas “oca”, elaborando uma metáfora em relação à maloca, moradia típica dos morros e das favelas. Em outras obras a casa aparece erguida em pedestais, sua verticalidade sugerindo elevação e transcendência. As casas de Maria são sempre abrigos protegidos, onde se guardam segredos, onde memória e imaginação não se dissociam: Uma e outra trabalham para o aprofundamento mútuo.

Desta forma, a idéia do projeto “A casa de todos nós” surgiu da junção do tema “diversidade”, tratado no livro , com o tema “casa”, explorado nas obras da artista que coordenou a elaboração do mesmo.

 

 


IDENTIFICAÇÃO DA ESCOLA

 

A E. M. E. F. Prof. Adriano Ortiz Corrêa situa-se no Residencial Conceição, na Rua Nelci Laurindo Machado, 239, em Gravataí/RS. Atende aproximadamente 400 alunos distribuídos em dois turnos. Atualmente o ensino é organizado em oito séries – 1ª. A 8ª. Séries – com uma proposta de modificação para nove anos.

Atualmente os alunos são matriculados a partir dos sete anos na primeira série, sendo na sua maioria do sexo masculino. Estes são oriundos de famílias de classe econômica baixa, portanto nem todos possuem material escolar mínimo necessário e/ou uniforme, sendo estes muitas vezes providenciados pela escola. Estas crianças chegam na escola com carências não só materiais, mas também nutritivas e culturais, pois não possuem muitas vezes acesso à informação, faltando-lhes inclusive muitas vezes habilidades indispensáveis para aquisição do conhecimento cientificamente elaborado, desenvolvimento psicomotor, cultural e sócio-afetivo.

A estrutura física da escola é composta por nove salas, sendo que algumas com capacidade para atender até no máximo 25 alunos e outras com capacidade de no máximo 30 alunos, uma cozinha, um refeitório, uma sala para biblioteca e audiovisual, 2 banheiros femininos e 2 banheiros masculinos para alunos, um banheiro para professores, um banheiro para funcionários, uma despensa para armazenar a merenda, uma sala para aulas de reforço, uma sala de aula onde funciona direção, supervisão escolar e sala de professores, uma secretaria, tudo em alvenaria. Dispõe, ainda, de uma sala em madeira para o atendimento do SOE e uma guarita, também em madeira, para o guarda. Possui um amplo pátio em processo de arborização com banco, pracinha, quadra poliesportiva e horta.

Conforme a Proposta Política pedagógica, a escola é um espaço múltiplo onde a comunidade busca encontrar não só o conhecimento, mas também o relacionamento com o mundo. Para muitas famílias é o único meio que oportuniza o acesso ao conhecimento e ao lazer. A escola deve oferecer coisas que não se aprendem em casa, mas com um ambiente de casa. É o espaço onde devem ser criadas oportunidade e condição para que os alunos consigam melhorar seu nível de informação e capacidade de pensar e agir, proporcionando passeios em diversos lugares, o acesso à filmes, teatros e diversão.

Sua principal tarefa é oportunizar a construção e apropriação de conhecimentos pelos alunos desenvolvendo habilidades e valores que permitam uma mudança social, através da formação de cidadãos críticos, participativos e atuantes, garantindo um futuro melhor.

O projeto “A casa de todos nós” reforçou a Proposta Política Pedagógica  no que se refere ao conhecimento associado ao lazer, pois propõe, além de técnicas e referências bibliográficas, uma efetiva participação do aluno, seja conhecendo pessoalmente o artista estudado ou socializando suas produções escolares  em locais públicos, o que os torna  agentes transformadores do seu meio.  Outro ponto importante da Proposta Política Pedagógica é a participação da família: “A Família deve ser presente e participativa, acompanhando o desempenho, o desenvolvimento e a evolução do filho”. O projeto que foi desenvolvido contemplou amplamente este ponto, pois vários familiares envolveram-se participando do desafio proposto aos alunos.

 

O cronograma abaixo facilita a compreensão do projeto desenvolvido e suas etapas:

 

ETAPA

AÇÕES

PERÍODO

PREPARAÇÃO

Seleção do tema e objetivos anual juntamente com os professores e a supervisora da escola.

1a. Quinzena de março.

 

 

 

·      Pesquisa de materiais de acordo com o tema anual.      

·       Seleção do livro “Diferente é divertido”, conversa com a artista Maria Tomaselli, preparação de material de apoio: catálogos, textos e imagens sobre suas obras (levantamento bibliográfico).

·       Seleção de um texto extraído da revista Veja: O Arquiteto do papelão.

·      Elaboração dos planos de aula.           

 

 

 

 

 

                                              

·       Combinação de atividades interdisciplinares.

 

2ª. Quinzena de março

 

 

 

EXECUÇÃO

6ª, 7ª, e 8ª. Séries:

 

·         Aula teórica-prática: Apresentação do Livro “Diferente é divertido” e elaboração de caricaturas dos colegas de aula, com ênfase nas peculiaridades de cada um.

·         Análise da vida e de obras da artista Maria Tomaselli  e leitura de uma crônica escrita por ela denominada “flutuantes”.

 

6ª e 7ª.  Série:

 

·         Aula prática:

·         Jogo sobre as características pessoais.

 

6ª, 7ª, e e 8ª. Série:

 

·         Aula prática:  Elaboração de caricaturas dos colegas.

 

7ª e 8ª. Série:

 

·         Atividade extra-classe:

·         Pesquisa sobre “O adolescente ontem”

 

 

 

1ª. Quinzena de março

 

 

 

 

 

 

 

2ª. Quinzena de março

 

 

7ª série:

 

·         Aula prática: Elaboração de mosaicos a partir da releitura de uma foto que mostra uma  calçada em mosaico elaborada pela artista Maria Tomaselli..

 

8ª. Série:

 

·         Aula prática: Elaboração de um painel intitulado “quatro cantos”, inspirado nas obras da artista.

 

7ª e 8ª. Série:

 

·         Socialização da pesquisa “O adolescente ontem”.

 

 

1ª.

quinzena de abril

 

 

 

 

 

2ª. quinzena de abril

6ª, 7ª e 8ª. Série:

 

·         Aula teórica e prática: Apresentação do projeto “ A casa de todos nós”, organização dos grupos de trabalho e início de esboços da casa temática.

·         Aula teórica: Leitura, análise e reflexão sobre o texto “Arquiteto do papelão”.

·         Aula prática:. Seleção do tema da casa que será estruturada, pesquisa de materiais recicláveis e técnicas para construções tridimensionais.

·         Aula prática: Construção da casa temática.  

 

1ª. quinzena de maio

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1ª. e 2ª. quinzena de maio.

 

 

* Aula interdisciplinar: Criação de poesias sobre o tema das casas que serão integradas à exposição das mesmas.         

 

 

Encontro com a artista, organização do site e projeto da exposição

 

 

 

Participação dos alunos da 4ª. Série: Socialização da produção de objetos denominados “gavetas dos segredos”, que serão agregadas na “casa da Maria Tomaselli”.

 

 


“Trabalhar com projetos exige uma reflexão constante, e é por meio dela que podemos avaliar todos os passos planejados e já realizados, para dar seqüência às ações. Essas ações, depois de operadas e recriadas na própria ação, serão refletidas para nova avaliação e replanejamento. Em síntese, o trabalho de ensinante está pautado na ação-reflexão-ação”.(Martins, 1998, p.166).

Para desenvolver este projeto realizei atividades em torno do tema diversidade com  turmas de 6ª, 7ª, e  8ª. Séries.

Utilizando o livro “Diferente é divertido” como referência e ponto de partida, inclusive para apresentar as obras da artista plástica Maria Tomaselli,  propus várias atividades relacionadas ao tema diversidade com a intenção de provocar reflexões sobre o mesmo. Após, ao apresentar o projeto “A casa de todos nós”,  pedi à turma que se dividisse em grupos e desafiei cada um a construir uma casa, em miniatura, com materiais reciclados, ao mesmo tempo estimulando-os a pensar em associações para e escolha do tema da mesma. Em um segundo momento, propus a realização de uma exposição em Gravatai.  É importante destacar que expôr as produções de nossos alunos em espaços públicos já é uma prática e praxe em nossa escola, sendo a socialização um momento que conta também com a participação e o envolvimento dos seus familiares.

 

 


RELATO DETALHADO DAS AULAS:

 

6ª, 7ª e 8ª. Série:

 

1ª Quinzena de março:

 

1º Encontro: Inicialmente conversamos sobre o tema diversidade. Os alunos fizeram um levantamento dos apelidos mais comuns utilizados na sala de aula e constataram que raramente alguém “escapa” de ser  rotulado na turma.

2º Encontro:  Apresentei o livro “Diferente é Divertido”  e situei a participação da artista plástica Maria Tomaselli durante a elaboração do mesmo (ver justificativa), bem como apresentei reproduções de algumas de suas obras. Aproveitei o momento para ler uma crônica escrita por ela, denominada “flutuantes”, que propões reflexões em torno do tema “casa”, que, segundo ela, viraram mercadorias descartáveis, cedendo cada vez mais lugar à edifícios que muitas vezes nos tiram a vista, o calor do sol e o frescor do vento. Sua crônica termina com uma declaração que lembra o encontro  do filósofo Diógenes de Sínope com Alexandre, o Grande. Quando Alexandre perguntou o que poderia fazer pelo filósofo, este, à sua sombra, olhou para o sol e disse: “Não me tires o que não podes me dar”. Semelhanças à parte, a artista inspirou alguns alunos ao declarar: “Puxa vida, eu também vou para o décimo nono andar. E sabem por que? Para ninguém me tirar o sol, a luz, o vento e o céu”. Esta fala resultou na construção de uma casa em sua homenagem.

3º Encontro: Pedi para todos os alunos responderem várias perguntas relativas a seus gostos, estilos e preferências. Após, realizamos um jogo cujo objetivo era reconhecer o colega através da descrição pessoal que cada um fez de sí. O resultado desta aula foi positivo e reforçou a integração do grupo,  pois cada um teve a oportunidade de mostrar um pouco de suas características pessoais e conhecer melhor as de seus  colegas.

 

6ª. 7ª. E 8ª. Série:

 

2ª. Quinzena de março:

 

4º Encontro:  Aproveitando o andamento das aulas anteriores, neste encontro propus que cada aluno fizesse a caricatura de algum colega, procurando dar ênfase na representação do  estilo do mesmo, observando detalhes tais como a utilização de piercings, bonés, acessórios, etc...

 

7ª. E 8ª. Série:

2ª. Quinzena de março:

Solicitei à turma uma pesquisa entitulada “O adolescente ontem”,  onde formulei perguntas relativas ao modo de se vestir, ao lazer, aos gostos e preferências referentes ao período de adolescência de seus pais e avós.

 

7ª. Série:

1ª. Quinzena de abril:

. Levei algumas imagens de catálogos e livros como material de apoio para retomar a apresentação das obras de  Maria Tomaselli. Mostrei a foto de uma calçada revestida com mosaico de azulejos, criada pela artista, cuja figura central é uma casa. Relacionei e comparei a mesma à outras presentes em suas esculturas e pinturas.

Solicitei que cada um refletisse sobre as possibilidades de associações em torno do tema casa bem como os significados e sentimentos que esta desperta.

Após, mostrei novamente a foto da calçada e pedi que cada um fizesse uma releitura da mesma utilizando a técnica de mosaico com papel.

. Iniciamos a aula fazendo uma socialização e avaliação dos mosaicos produzidos na aula anterior. Os alunos perceberam que, embora a técnica fosse a mesma para todos, cada um demonstrou seu estilo e personalidade em composições muito diferentes. Neste encontro cogitamos a possibilidade de revestir a calçada pública, que dá acesso à nossa escola, com mosaicos de azulejos ³.

 

 

³ Projeto em anexo “Se essa rua fosse minha”

 

 

 

 

8ª. Série:

1ª. Quinzena de abril:

. Neste dia  propus à turma um exercício que consiste em produzir imagens do acaso, técnica muita utilizada por Maria Tomaselli: “Eu persigo o acaso, ... vou de traço em traço, de mancha em mancha.”

 

 

Pedi que realizassem experiências com frotagem e manchas, deixando figuras surgirem espontaneamente, sem planos iniciais.

Em um segundo momento falei sobre uma série de gravura que Maria fez em Olinda, em 1984, denominadas “Quatro-cantos”. Embora o nome possua uma referência geográfica, as gravuras possuem quatro assinaturas e  representam quatro orientações possíveis no espaço, ou seja, podem ser giradas ou podemos girar em torno delas. Desafiei a turma a criar um painel “quatro-cantos” com as” imagens do acaso”.

 

7ª e 8ª. Série:

2. quinzena de abril:

Nesta etapas foram socializadas as pesquisas sobre “O adolescente ontem” que resultou em um painel coletivo com as informações coletadas.

 

6ª, 7ª e 8ª. Série:

1ª. Quinzena de maio:

. Finalmente, após realizar as atividades iniciais com o objetivo de sensibilizar a turma em relação ao tema diversidade e apresentar as obras da artista Maria Tomaselli como ponto de partida para o projeto “A casa de todos nós”, solicitei que a turma se dividisse em grupos e que cada um esboçasse um pequeno projeto para a construção de uma casa em miniatura. Salientei a importância de considerar o que gostariam que aparecesse nela, tais como  elementos, forma, acessórios, cores, entre outros, procurando definir como seria o morador da mesma bem como seu estilo e sua personalidade.

Acredito no que diz Miriam Celeste Martins, que “qualquer inicio de trabalho já nasce carregado de intenções, desejos, expectativas, inquietações e saberes”( Martins, 1998, pg 167). Construído a partir de experiências, um projeto nasce e se desenvolve compartilhando características professor-aluno.

 

. Em outro encontro apresentei algumas técnicas para facilitar as construções, tais como confecção de cantoneiras e palitos de papel, salientando a importância da utilização de materiais reciclados. Após, solicitei aos alunos uma pesquisa de materiais alternativos bem como a definição de um tema para a casa a ser construída.

 

. Nesta fase as técnicas foram colocadas em prática e iniciou-se a construção das casinhas. Considerar o relato puramente descritivo das aulas desenvolvidas a partir deste momento seria extremamente difícil. Cada uma das aulas apresentou particularidades, ou seja, peculiaridades que alteraram de alguma forma o resultado do projeto inicial de cada grupo. Alguns grupos se desfizeram e se refizeram. Em outros casos, determinados alunos resolveram trabalhar sozinhos.

 

6ª, 7ª e 8ª. Série:

2ª. Quinzena de maio:

Casinha para cá, casinha para lá, as formas iam se definindo a cada aula. O espaço físico de nossa escola é bem pequeno e logo percebemos a falta de um espaço adequado para armazená-las. Neste momento questionei os alunos: Se tivéssemos uma sala específica para as artes, como seria o espaço ideal? Fizemos um levantamento das características ideais para este espaço, o que resultou em um projeto (em anexo: “sala alternativa”) que desejamos conquistar no futuro: Um espaço livre e dinâmico, que permita novos remanejamentos na disposição dos móveis, objetos e trabalhos produzidos. Acredito no que diz Paulo Freire, que “Há uma pedagogicidade indiscutível na materialidade do espaço” (Freire, 1996, pg 50).

Ao total foram confeccionadas 27 casinhas,  conforme abaixo relacionadas:

 

6ª. Série:

. A casa da artista Maria Tomaselli

Inspirada no trecho da crônica “flutuantes”, onde a artista declara: “Puxa vida, eu também vou para o décimo nono andar. E sabem por que? Para ninguém me tirar o sol, a luz, o vento e o céu”, esta casa também contou com a participação dos alunos da 4ª. Série, cuja professora propôs a construção de gavetinhas contendo segredos. Estas foram agregadas à casa fazendo uma referência à uma instalação apresentada pela artista na II Bienal do mercosul.

 

. A casa do amor

Em tempos de violência, uma declaração de amor.

 

 

 

. A casa “Orgulho gaúcho”

Alusão ao time gaúcho gremista.

 

. A casa da pantera cor-de-rosa

 

7ª. Série:

. A casa do Brasil

Ostentando uma sutil plaquinha, oferece um emprego: “Precisa-se gente que arrume a casa”.

 

 

. A casa da sabedoria

Uma casa que valoriza e respeita a sabedoria das pessoas idosas.

 

 

. A casa da aprendizagem

Esta casa é a representação da escola que, no projeto de exposição, ficará em destaque, erguida em um pedestal, num gesto simbólico sugerindo a sua importância. Acima da porta de entrada expõe um pensamento de Paulo Freire: “ É incrivel que não imaginemos a significação do “discurso” formador que faz uma escola respeitada em seu espaço. A eloqüência do discurso pronunciado na e pela limpeza do chão, na boniteza das salas, na higiene dos sanitários, nas flores que a adornam. Há uma pedagogicidade indiscutível na materialidade do espaço”.

 

 

. A casa do construtor de casas

Uma homenagem ao profissional que constrói o sonho de tanta gente.

 


. A casa do Van Gogh

Contém trechos de cartas que Van Gogh enviava ao seu irmão que nos permitem compreender melhor sua personalidade bem como seu processo criativo.

 

. A casa ecológica

Esta casa representa a consciência em relação à preservação da natureza, reforçada nas aulas de ciências.

 

. A casa do consumista

Associando seu tema à a imagem do artista Andy Warrol, esta casa contém vários objetos do desejo de um consumista, tais como calçados, bolsas, perfumes, acessórios, etc...

 

. A casa “sonho de todo brasileiro

Esta é a casa própria, toda mobiliada.

 

A casa da infância

Representa os nossos antigos companheiros, os brinquedos.

 

8ª. Série

. A casa da Barbie

Toda cor de rosa, remete aos sonhos da infância.

 

. A casa do desempregado

A casa ostenta um pedido extraído de um jornal: “Procura-se um emprego de aniversário.” No seu interior, uma cena que retrata as consequências da falta de trabalho: Uma família sentada ao redor de uma mesa vazia.

 

. A casa do rock

Uma homenagem à música.

 

. A casa do terror

Além de divertida, esta casa questiona: Você tem medo de quê?

 

. A casa Op-Art

Esta casa brinca com o nosso olhar apresentando efeitos de ilusão de ótica.

 

. A casa de Gravataí

Símbolos de Gravatai, as bromélias adornam esta casa.

 

. A casa do colecionador de arte

Esta casa contém em seu interior uma coleção de obras dignas de um morador que ama e valoriza as artes.

 

. A casa da Tomie Otake

 

. A casa da diversidade

Esta casa acolhe alguns trabalhos coletivos, como caricaturas de colegas com ênfase em suas características pessoais  e relatos sobre as diferenças de cada um.

 

.  maquete da sala ideal para as artes.

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 


OBJETIVOS

 

. Selecionar o tema da atividade proposta analisando questões sociais e relacionando-as criticamente as suas experiências.

. Materializar o desenvolvimento de uma idéia a partir do planejamento inicial (esboço)

. Selecionar procedimentos e materiais de acordo com os objetivos, recursos e limitações existentes.

. Resolver problemas, identificar e analisar situações.

. Ser sensivel ao envolver-se com os objetos e os materiais (Qualidades formais, expressivas e físicas).

. Participar das avaliações, durante o andamento do trabalho, para o desenvolvimento de senso crítico.

. Considerar as técnicas e as informações relacionando-as no processo criativo, articulando a percepção, a imaginação, a sensibilidade e o conhecimento durante a interação grupal.

 

 

AVALIAÇÃO

 

Em  épocas em que pais e filhos encontram pouco tempo para interagirem e a presença da familia na escola geralmente deixa a desejar, observo com satisfação o desenrolar desta proposta de trabalho, onde não raras as vezes os alunos contaram com a ajuda de seus parentes para construirem suas casinhas. A interação ocorreu em situações diferentes, como em casos onde o pai transferiu seus conhecimentos de marcenaria ou a mãe que costura e ajudou a fazer cortinas em miniatura. Outro relato interessante foi feito com satisfação por uma aluna cujo pai, estando afastado do trabalho por licença médica, dedicou-se apaixonadamente a ajudá-la na construção da casinha, que foi estruturada com palitos de jornal. Além destas considerações, é importante lembrar que duas idéias importantes surgiram no andamento deste projeto: A necessidade de construirmos um espaço adequado para as atividades futuras e a possibilidade de criarmos um mosaico para a calçada que dá acesso à escola. Percebo estas situações como uma grande conquista da escola, sendo este um exemplo de “discurso formador” que faz a mesma ser valorizada e respeitada em seu meio.

 

 

 

 

1 . FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia.

 

2. Brasil. Secretaria de Educação Fundamental . Parâmetros curriculares nacionais: arte. Secretaria de Educação. Brasilia: MEC/SEC, 1997. p. 168-181

 

3. MARTINS, Miriam Celeste F. Dias; PICOSQUE, Gisa; GUERRA, Maria T. Ensino de arte: Uma atitude pedagógica. In: Dialética do ensino de arte: a língua do mundo: poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo: FTD, 1998, p. 166.

 

4. KERN, Maria Lúcia Bastos; ZIELINSKY, Mônica; CATTANI, Icléa Borsa. Espaços do corpo: aspectos das artes visuais no Rio Grande do Sul (1977-1985). Porto Alegre:Editora da UFRGS;programa de Pós- Graduação em Artes, 1995, p. 170-173

 

 



[1] Imagens de trabalhos produzidos por nossos alunos que integraram exposições nas exposições “Espantalhos, espantando os males da humanidade” e “cadeiras pra quem?”.

[2] Publicou  o texto  “ A quarta casa” no site oficial de Maria Tomaselli:  http://www.vanet.com.br/users/to/